Poupança ou Investimento: quais as diferenças?

Publicado por daniela mainardi em

A caderneta de poupança é a aplicação mais utilizada pelos brasileiros. Entretanto, é a opção menos recomendada pelos especialistas do mercado financeiro. Segundo o site Infomoney, aproximadamente, 67 milhões de brasileiros têm pelo menos R$100 aplicados na caderneta. Além disso, segundo uma pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais, 90% dos entrevistados afirmaram conhecer a poupança e 88% disseram que a utilizam. Mas se existem tantas desvantagens e não é recomendada, por que as pessoas continuam usando? Quais são as vantagens? Por que eu devo investir além de poupar? E além disso, qual a diferença entre poupar e investir? Essas e outras perguntas nós respondemos para você neste guia completo sobre poupar e investir.

  • O que é poupar?
  • A história da poupança
  • A grande crise
  • Esse confisco pode ocorrer novamente?
  • Por que é tão popular?
  • Como funciona?
  • Quais são as vantagens?
  • E quais as desvantagens?
  • Vantagens de investir
  • Desvantagens de investir
  • Diversifique seus investimentos
  • Poupar vs Investir

O que é poupar?

Vamos começar com os conceitos básicos: poupar nada mais é economizar, guardar dinheiro. Assim, quando você se compromete a poupar, é necessária uma organização do seu orçamento para separar um valor mensal. Por isso, para começar a poupar, é importante saber quais são todas as suas despesas fixas e eventuais. Poupar é se planejar financeiramente para que sobre dinheiro da sua fonte de renda, seja ela fixa ou variável. Ainda que você organize o seu orçamento, nem sempre é fácil poupar uma quantia todo mês. Portanto, o melhor caminho é cortar despesas desnecessárias e cuidar os gastos ocultos. Você pode ver um pouco mais sobre os gastos ocultos aqui neste post.

A História da Poupança

Ela surgiu em um decreto assinado por Dom Pedro II em 1861, que determinava a criação da poupança na Caixa Econômica. Assim, a ideia era receber as pequenas as economias das classes menos abastadas. No início, o rendimento era de 6% ao ano, mas em 1915, por meio de um decreto, ficou definido que o valor dos juros seria determinado único e exclusivamente pelo governo. Então, a partir dai, o calculo do rendimento começou a ser alterado. Já em 1934, determinou-se que o rendimento seria fixado pelos Conselhos Administrativos das Caixas Econômicas, mas não poderiam superar 6% ao ano. Assim, três décadas depois, surgiu a correção monetária para proteger as aplicações das inflações da época.

A grande crise

A principal crise envolvendo a poupança aconteceu em 1990, que foi o seu confisco. O presidente da época era Fernando Collor e o mesmo ordenou o confisco de 80% dos depósitos de contas poupanças que tivessem um valor superior a 50mil cruzados novos. Esse bloqueio da poupança era uma medida do pacote econômico chamado “Pleno Brasil Novo”, também conhecido como “Plano Collor”. Além disso, o plano determinou que o saldo bloqueado teria seu rendimento baseado no Bônus do Tesouro Nacional Fiscal (BTNF). Assim, esse confisco durou um ano e meio e após a liberação das contas, a desvalorização da moeda da época fez com que os saldos fossem muito baixos para compensar todo aquele tempo parado. O plano econômico não ocorreu como esperado. Isso porque a medida agravou a crise econômica de época com o país enfrentando uma inflação altíssima.

Esse confisco pode ocorrer novamente?

Esse plano econômico foi tão polêmico e causou tanta insatisfação, que o presidente Collor sofreu um impeachment antes de concluir seu mandato. Ainda que o processo não tenha sido concluído, Collor preferiu renunciar e sua gestão foi subsistida por Itamar Franco. Por toda essa questão, é mais improvável que esse confisco ocorra novamente. Além disso, o plano Collor foi aprovado devido a uma medida provisória que dependia apenas da vontade do presidente. Porém, em 2001 foi aprovada uma lei que proíbe “(…) a detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro.”

Por que é tão popular?

É estimado que a poupança ainda seja tão popular, principalmente, pelo fato de ser uma aplicação simples, com baixo custo de entrada, sem incidência de impostos e, também, por seu um costume familiar passado entre gerações. Então, muitas vezes, por falta de conhecimento financeiro e insegurança as pessoas acabam indo na opção mais conhecida, porém menos vantajosa.

Como funciona?

É uma aplicação com rendimento fixo. Para ter uma conta poupança, basta escolher o banco de sua preferência e dar entrada na abertura. Além disso, independente da instituição que você escolher o rendimento será o mesmo.

Quais são as vantagens?

A principal vantagem da poupança é que ela tem uma garantia. Afinal, a poupança tem a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) que é mantido pelos bancos. Assim, em caso de quebra do banco, quem tem dinheiro aplicado na poupança receberá de volta até R$250mil. Essa garantia é feita por CPF e por instituição financeira. Então, caso a pessoa tenha a caderneta e também investimentos no CDB de um banco que venha a quebrar, o valor de R$250mil vale para todas as aplicações somadas.

E quais as desvantagens?

Apesar de ser muito utilizada, a poupança tem muito mais desvantagens do que vantagens. Ela é de longe uma das menos vantajosas no quesito rentabilidade. Quando o assunto é aplicar o dinheiro para ter maior rendimento, a poupança se torna uma alternativa obsoleta comparada as opções de investimento atuais.

A Taxa Selic

O nome Selic vem de Sistema Especial de Liquidação e de Custódia e é a taxa básica de juros da economia brasileira. Esse sistema é administrado pelo Banco Central onde são transacionados títulos públicos federais. Assim, a taxa média ajustada dos financiamentos realizados diariamente nesse sistema corresponde à Taxa Selic. O rendimento da conta poupança está ligado a Taxa Selic que, atualmente, se encontra em 4,25%. Visto que se a Taxa Selic estiver abaixo de 8,5%a.a a rentabilidade da poupança será de 70% da Selic + Taxa Referencial. Entretanto, a Taxa Referencial se encontra zerada há mais de dois anos.

Aniversários

Na década de 80, a inflação atingiu recordes nunca antes vistos e por isso a correção monetária passou a ter incidência diária na poupança. Então, criaram-se os chamados “aniversários” para proteger as aplicações dos aumentos dos produtos. Porém, você corre o risco de perder dinheiro. isso acontece quando é feito um saque fora da data de aniversário. Ou seja, quando o dinheiro é retirado em um dia diferente do que foi feita a aplicação.

Poupar é diferente de investir

São conceitos diferentes. Visto que poupar é economizar dinheiro, investir é valorizar este capital que foi guardado. Do mesmo modo, é o passo seguinte depois de poupar. A intenção do investimento é multiplicar o dinheiro poupado.
De um modo geral, as pessoas não possuem o hábito de poupar dinheiro e investi-lo depois. E aí que está o problema. O investimento é importante não só para aumentar o patrimônio, mas também para construir uma reserva de emergência. Veja mais sobre o assunto aqui neste post.

Vantagens de investir

Quando você otimiza o seu dinheiro, você consegue realizar os seus sonhos e atingir os seus objetivos financeiros em menos tempo. Além disso, valorizando o seu capital, você aumenta o seu patrimônio e fica com uma reserva de dinheiro maior. Sem mencionar que as condições de vida podem mudar, como perder o emprego ou acontecer alguma emergência. Por isso, nestas horas, todo dinheiro extra faz diferença.
O objetivo de poupar é para ter dinheiro no futuro, certo? Então, quando você otimiza esse dinheiro poupado, você aumenta as suas possibilidades. Assim, evoluindo o seu dinheiro no presente, você gera lucros para o seu futuro. Sobretudo, analise quais são as melhores formas de otimização para o seu dinheiro de acordo com a sua renda e os seus objetivos financeiros.

Desvantagens de investir

A única desvantagem dos investimentos é que existem riscos, mas eles variam bastante. Afinal, existem investimentos de riscos baixos, médios e moderados. Assim, o ideal é você estudar os tipos de investimentos disponíveis e entender qual tipo de risco envolve cada um e qual combina mais com o seu perfil de investidor. Além disso, tenha em mente que o maior risco é você deixar de evoluir o seu dinheiro por desinformação.

Diversifique seus investimentos

Em função dos riscos de cada aplicação, o ideal é variar os seus investimentos em mais de um tipo de aplicação. Assim, caso uma desvalorize, você tem uma segunda opção. É muito importante que você diversifique os seus investimentos, dividindo ele em mais de uma categoria e ampliando a sua carteira. Afinal, alguns investimentos têm maior rentabilidade e outros menos. Por isso, é importante fazer este equilíbrio para não ficar dependente só de um investimento. Assim, o principal benefício em diversificar é diminuir os riscos para garantir uma rentabilidade adequada a médio e longo prazo.

Poupar vs Investir

Agora você sabe que poupar e investir são coisas diferentes, mas ambas são essenciais para o seu crescimento econômico. Então, lembre-se de se organizar financeiramente para conseguir ter um valor para investir todo mês. Além disso, não esqueça de diversificar os seus investimentos para não limitar as suas opções.


Você já nos acompanha nas redes sociais? Siga a Ubuntu Finanças no Facebook, Instagram e Linkedin e fique por dentro das novidades.


1 Comment

Natália Regina · 27 de julho de 2021 at 14:37

Ótimas colocações

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

19 − 3 =